Resumo do 1º artigo do Clube de Artigos Psis:
🍃 Artigo: Epigenética e Psicologia: Uma Possibilidade de Encontro entre o Social e o Biológico
A ciência nasceu do senso comum, mas se diferenciou ao adotar o método experimental, que permite testar hipóteses e gerar conhecimentos confiáveis. No século XIX, esse método passou a ser aplicado também ao estudo do ser humano, surgindo as ciências humanas (antropologia, sociologia, psicologia).
🍃 A psicologia, criada como ciência em 1875, se dividiu em duas escolas:
Estruturalismo (Wundt e Titchener): estudava a mente pela análise da estrutura e da experiência consciente.
Funcionalismo (influenciado por Darwin e desenvolvido por William James): estudava as funções da mente, a adaptação e a interação com o meio.
Essas duas correntes são complementares: o estrutural se refere ao corpo/genética, e o funcional às interações/adaptações. Piaget uniu os dois, mostrando que o conhecimento é construído nas interações entre sujeito e ambiente.
A genética explica a herança biológica, mas o Projeto Genoma Humano revelou que temos poucos genes (cerca de 20 mil), levantando questões sobre como tanta complexidade pode surgir. Isso levou à descoberta da epigenética, criada por Waddington em 1940.
👉 Epigenética estuda como o ambiente influencia a expressão dos genes, sem alterar a sequência do DNA. Ou seja, fatores como alimentação, estresse, relações sociais e até experiências dos pais podem “ligar” ou “desligar” genes, modificando o fenótipo (características observáveis). Essas alterações podem ser reversíveis e até herdadas por futuras gerações.
Os principais mecanismos epigenéticos são:
Metilação e acetilação do DNA (alteram a ativação de genes).
Remodelamento das histonas (DNA enrola ou desenrola, permitindo ou bloqueando a expressão gênica).
RNAs não codificantes (bloqueiam ou modificam a tradução de proteínas).
🍃 Na psicologia, a epigenética é importante porque mostra que o indivíduo não é apenas fruto dos genes, mas também do ambiente. Isso muda a forma de compreender e tratar psicopatologias (como ansiedade, depressão e esquizofrenia), que não dependem só da genética, mas também de experiências de vida e fatores sociais.
Exemplo: estudos mostram que experiências traumáticas ou privações (como fome em gerações anteriores) podem aumentar riscos de doenças em descendentes. Por outro lado, estímulos positivos (como a dedicação de uma mãe no caso clínico citado) podem transformar o desenvolvimento e até “reverter” limitações graves.
Assim, a epigenética une estrutura (genética) e função (ambiente), trazendo uma visão mais ampla do ser humano, fundamental para a psicologia e para a saúde.
Fonte: Revista Internacional em Língua Portuguesa, 2018, No34, Ciências da Saúde e Tecnologia, pp. 15-36. Epigenética e Psicologia: Uma Possibilidade de Encontro entre o Social e o Biológico. Aydamari João Pereira Faria Junior, Ana Raquel Mendes de Toledo Neris e Iara Peixoto de Oliveira.
Artigo: https://www.rilp-aulp.org/index.php/rilp/article/view/RILP2018.34.1
Psi Talita Tatiyuwa
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